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Carapeços na linha da frente de apoio aos refugiados.
21Fev2018 10:33:01
Publicado por: José Pernicas Silva

Carapeços na linha da frente de apoio aos refugiados.

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No passado domingo, dia 18 de fevereiro de 2018, realizou-se no Instituto São João de Deus em Lisboa, o encontro dos voluntários da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR). Nesse encontro, na presença do Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, a carapecence Isabel Martins da Silva, vice-presidente do Grupo de Jovens de Santiago de Carapeços - KYRIOS deu o seu testemunho. Na sua intervenção referiu o trabalho de acolhimento que a Associação Cor Unum e o Grupo de Jovens KYRIOS promovem com a Família Síria que chegou a Carapeços há um ano e meio, bem como a sua experiência de missão em Lesbos, na Grécia, num campo de refugiados ao abrigo do programa PAR – Linha da Frente.

 Conversamos com a Isabel que partilhou connosco estas palavras sobre a sua experiência: 

 

“Em setembro de 2016, foi acolhida, ao abrigo do programa PAR – Famílias, em Carapeços – Barcelos, uma família Síria: a Rafif, o Omar, a Safaa e o Mahmood. O acompanhamento desta família ficou, desde o inicio, nas mãos do Grupo de Jovens de Santiago de Carapeços –KYRIOS. Nessa altura, como representante do Grupo de Jovens da paróquia, envolvi-me no processo de acolhimento desde o primeiro momento. Como elemento da equipa de acompanhamento social desta família refugiada, percebi, desde logo, que muito mais nos era exigido para além de trabalho técnico e burocrático. Seríamos, e somo-lo efetivamente, amigos e família. Somos o apoio emocional a cada incerteza no futuro. A cada angústia pelos que ficaram para trás. A cada momento de saudade da terra, que embora os tenha obrigado a fugir, representa a vida que um dia tiveram e que lhes foi roubada de rompante. No acolhimento desta família envolvemo-nos nos jovens e não só. Os jovens, os pais dos jovens, os avós, os irmãos... enfim, toda uma comunidade que aprendeu a dar-se por inteiro. Aprendemos que acolher implica, acima de tudo, uma disponibilidade emocional total para o outro.

Já no campo de Kara Tepe, em Lesbos, com cerca de 700 pessoas,  onde estive em missão no verão passado, a nossa missão é outra: cuidar da espera. Cuidamos da espera de famílias que esperam um ano até verem a sua situação regularizada. Um ano a viver em contentores (ou pior), um ano sem trabalho, um ano de vazio.  Famílias que embora aparentemente tenham chegado a esta Europa sem nada, chegaram cheios:  de sonhos e de esperança. Em Lesbos, foi fácil perceber que recebia muito mais do que tinha para dar. Cresci a cada dia com o tanto de bom que descobria  nas pessoas com quem partilhei o meu dia a dia: nos voluntários apaixonados por esta Missão, na coragem dos jovens do campo de Kara Tepe e na alegria genuína das crianças.

Em Lesbos, no meio de jogos, brincadeiras e pinturas com as crianças, de atividades com os jovens, de danças  e picnics, é fácil, a partir de dado momento deixar de ver rostos que lembram  guerra, perseguição e fuga. É fácil deixar que o nosso olhar se transforme e ver menos as tribulações por que tantos passaram, o que sofreram e perderam, e passar a ver melhor: ver a força com que continuam a viver, a resiliência inspiradora capaz de transformar as lágrimas em sorrisos como os de outrora.
É automático deixar de ver ameaças, criminosos, causas perdidas e passar a sentir tantos nomes e rostos de tão boas pessoas que trazemos no coração.

 

Isabel_Silva_martins.jpgNa linha da frente a nossa missão é fazer com que cada uma destas pessoas nunca se esqueça que não é mais um número numa massa informe, mas alguém com uma história tão sagrada quanto a minha. Alguém que tem o direito, não apenas a sobreviver, mas a viver de facto. Nós, voluntários da PAR, escolhemos, ser aquilo que ser realmente Humano exige de nós: ser instrumentos de Paz. Em Lesbos ou em Atenas, longe ou em casa, escolhemos, a todo momento, ser Luz na escuridão.

 

 

 



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