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Associação Cultural Desportiva de Carapeços
05Ago2016 08:22:58
Publicado por: José Pernicas Silva

Página em Elaboração.

 

Já lá vão 40 anos, tinha eu 5, e já era tão simples, tão alegre jogar á bola: sabem como? com uns farrapos atados numa meia roubada ás escondidas lá em casa. E que grandes jogatanas fazíamos!

 

Depois vieram as bolas de borracha multicolores ,e mais tarde as bolas de plástico ,que rivalizavam com as sonhadas bolas de capão, bisavós  das actuais bolas de couro. Naquele tempo, jogavam á bola o Xico do Jacó, o Amadeu, o Macelo, e estávamos aí pelos anos de 1958 a 1960, quando se construiu a Casa de Nazaré e o Rev. Padre Olavo (hoje falecido) cedeu o terreno a sul, para se jogar a bola ,naquele que foi o primeiro campo de Futebol de  Carapeços, que me lembre. Começavam nessa altura a jogar, o Manuel Rodrigues, o Manuel Almeida, o Xavier e o Domingos Cambões, O Orlando e o Rogério Coutadas. Entretanto, o Rev. Padre  Alcino, recém chegado á freguesia, tinha duas bolas vermelhas , em plástico elástico, -duraram anos –que emprestava á pequenada da catequese, que se divertia em peladinhas na carreira ,então, mais estreita que hoje em dia, e que foi a grande escola dos craques da terra que se revelaram na década de 70.Nesse tempo, na carreira, passava um carro uma vez por mês ! Dessa época, recordo-me dum único jogo “internacional jogado no campo da Nazaré, em que Tregosa deu uma coça de 7-1 a Carapeços e foi o Manuel Rodrigues o guarda redes .Este campo ,pouco depois foi extinto e a rapaziada jogava em

 

 

No Verão de 1965, Carapeços entrou no primeiro torneio de futebol, que foi organizado pelo Gil-Vicente. Lideravam a equipa o Manuel Rodrigues, o Manuel Almeida, o  Joaquim Pernicas, e outros, recordo-me de terem convidado o Mário ,de Salvador, que tinha treinado no Gil,.,para jogar por nós. Eu tinha 14 anos e a família não me deixou alinhar, mas o Jorge e o Francisco Tomé , davam os primeiros passos. Nesse torneio houve porrada da grossa com a malta de Arcozelo, e os jogadores e público iam para os jogos armados de grossas correntes, facas, e fueiros, para passarem em Arcozelo. A equipa  não passou da 1ª fase. Também, por esse tempo funcionou a telescola, na Casa do Povo, e a carreira ,era o grande “pavilhão”de jogos, onde todas as tardes se faziam grandes jogas. E até òquei em campo se jogou, utilizando, tronchos secos de couve-galega, como sticks !- a alegria de jogar é prodigiosa. O Amadeu Costa (Pazola) ,empregado do Armazém, onde hoje está a livraria era o grande dinamizador. Organizou-se , nessa altura, o primeiro quadrangular, por Lugares: Monte, Centro, Sul da Linha e  Areeira. Ganhou o Centro, com Assis, o Armindo, o António Esteves, o Manuel Miranda - um esteio á defesa :passava a bola, não passava o homem! Também,, por essa altura, o Seminário fez o campo, que passamos a frequentar aos Domingos, numa época em que convivíamos muito com a juventude da Silva, fruto do futebol e da Casa de  Nazaré.

 

 

José Almeida (o Juca) era o guarda redes, e o Assis, Jorge, o Chiquinho, o Chico Sá ,o Rogério, o Pazola, todos com 16 a 18 anos, salvo uma ou outra excepção, davam cartas. O Jorge, o Assis e o Rogério ,chegaram a jogar num torneio de Vilar do Monte, pela equipada Casa. O campo ficava no meio de umas terras ,já não sei onde. Salvo erro, em 1968 e 1969,alugou-se pela primeira vez o campo do Cambões, o mesmo que hoje acaba de ser construído pela Junta. A vedação pelo lado do Francisco Lisboa , foi feita com varas de mimosas, e foi o Mano Araújo que as transportou com o burro  que o pai tinha acabado de comprar – animal que deu algum brado na freguesia. O campo popularizado com o inigualável  nome  Beloura  ao lado !durou pouco mais de 2 anos, tendo-se organizado um torneio de sete, em que as equipas foram feitas por sorteio dos jogadores inscritos . Recordo-me de ter  sido o melhor marcador –o Jorge ofereceu-me um rabo de bacalhau, e de ter visto jogar grandes jogadores, como o falecido feliz, o Lucas Timóteo, o Veríssimo Sapateiro, o Mano e outros Recordo-me do Eusébio e do José Rodrigues também jogarem. A taça para a equipa vencedora, serviu para organizar, logo uma prova de ciclismo, por Balugães, Balança, Feitos, Faial, ganha por um corredor de Aborim.

 

Com a ida do Amadeu e do Jorge para França ,o campo acabou. Voltamos á carreira e ao campo do Seminário.

Nessa altura o Adelino Mota, vulgo Pélé, tinha uma furgoneta Austin, cinzenta, e além de jogador, era o transportador da malta. Recordo-me de um jogo  “internacional” em Creixomil, onde perdemos por 5 a 1, e depois fomos para S.Bartolomeu. Por volta de 1974, 1975, começava a surgir uma nova geração de jogadores, tais como o Salvador, Marcelino, os irmãos do Zé Filipe, o Dr. Tomé e o irmão, tendo o Seminário como palco preferido, tendo-se organizado as primeiras excursões com jogos no Seminário de Braga. Nesse tempo eu andava pela tropa. Quando em 1976 me reintegrei na equipa, muitos dos meus companheiros dos anos 60 tinham arrumado as botas :o Xico do Néu,  o Juca, o Manuel Grande, o Armindo, o Veríssimo, o Xico Miguel, o Luís Pombo, o António Correia ,os viozas, mais novos, etc..Restava o Chiquinho, bem como o Costa da padaria. Em Salvador faz-se um campo novo, o actual, e começam a ser organizados os famosos torneios, o primeiro, salvo erro em 1978. Nas férias grandes, os emigrantes com carros, Jorge, Rogério, Pereiras, etc. levam o pessoal, todas as tardes para o campo do Seminário. O Marcelino e o Salvador afirmam-se como craques. O David Tomé, começa aparecer, bem como o guarda redes Domingos Rodrigues e o avançado Teina.

 

Entretanto, os torneios exigem mais organização. O falecido Manuel Messias e o Silvestre tentam fundar um grupo: os Estrelas. Acaba por se unir, e faz-se a integração na Casa do Povo, como Secção de Cultura e Desportiva .Organizam-se jogos de salão e gincanas de bicicleta. Todos os Domingos a secção promove sessões de cinema no Salão da Casa do Povo. Para angariar receitas, fazem-se sorteios e organiza-se um jogo de loto-O Loto canarinho-, com recolhas de cartões nos cafés durante vários meses..

 

Prosseguem os torneios de Salvador.   Aparecem também os de Lijó e Abade  Neiva. O Gil Vicente, também  organiza um ou dois torneios .O grupo está coeso e dinâmico. Fazem-se grandes  jogos em torneios.


Salomão, Assis, Pedro ,o Feliz (ainda vivo),o Tiago, acompanhados com jogadores de fora, como o Simões, o Augusto Viana que ficam jogadores da terra durante anos ,batem-se em jogos com mais assistência do que aquela que hoje vai ver o Gil Vicente. Os jogos com o Salvador vão ao rubro numa rivalidade que chega a descambar em violência.

 

Nasce, entretanto, um novo alfobre de jogadores com origem na Areeira: o Zéqinha, o Toninho, o Manuel Tomé. Vai-se  buscar o Victor Andrade a Barcelos. Ganha-se torneios de Abade Neiva e Salvador. O Manuel, com 17 e 18 anos afirma-se como melhor marcador. Costa; Victor, Chiquinho, Assis, Tiago, Davide, Marcelino, o Rui Andrade. e outros ,Fazem uma grande equipa. Os de Manhente, Lamaçães, os Ceramistas, Oliveira, então com uma grande equipa, acabam derrotadas e convencidos, não sem manifestarem algum espanto.

 

 

Em 1987 e 1988, começam aparecer os primeiros subsídios da Câmara e do Governo Civil.

 

Para receber é necessário apresentar o cartão de Identificação de Pessoa  Colectiva. Torna-se inadiável legalizar o Grupo e constituir uma Associação com  personalidade jurídica. O Salomão já advogado, encarrega-se de redigir os estatutos e tratar da papelada .A escritura é celebrada em 16/11/ 1988.

 

Outorgaram-na o Assis, o Salomão, o Jorge, o António Andrade e outros. O Leixe foi uma das testemunhas. Fomos festejar o acto à Furna com uma churrascada .A Associação não tem instalações, não tem campo, não tem nada para dar aos sócios a não ser futebol aos  jogadores.  consensualmente, resolveu-se funcionar como regime Comissão Instaladora. Os torneios prosseguem. Novos jogadores vão-se revelando. Fazem-se as primeiras festas na Casa do Povo. São, ao mesmo tempo, convívio e forma de angariação de fundos. São um êxito.

 

 

Os Grupos são dinâmicos e geram, por natureza própria, correntes de alternativa e novos lideres. Durante o ano de 1992,uma larga maioria de aderentes inclina-se para a organização de eleições.

 


Promove-se a inscrição de associados, organizam-se os cadernos eleitorais e a 27 de Setembro procede-se á eleição dos Órgãos Sociais, tendo-se candidatado apenas uma lista..Hoje ACDC, ontem a secção da Casa do Povo, e, muito antes, apenas o Grupo daqueles que gostavam de jogar á bola, mantêm um traço comum: um saudável  espírito de equipa, uma grande alegria em jogar, uma vontade e um orgulho de ganhar do tamanho deste mundo. A memória vai longa e o espaço é curto para tantas recordações. Muitos factos, muitas histórias faltam aqui: umas, porque nem todas me lembro e tantas outras, porque o espaço é curto. Perdoem-me os que não mencionei e que bem mereciam terem sido citados. Afinal, já é a nossa História. Grande e tão grata, sobretudo, para mim, que quase ininterruptamente, durante 30 anos, com alegria, joguei e servi de ligação entre várias gerações de  grandes jogadores, onde nasceram grandes amizades, e se firmou um grande espírito de solidariedade. Para a prossecução desses saudáveis valores humanos, servem Associações. E a nossa ACDC, mais que nenhuma. Bem haja.

 

 

 

 

Obs. Este  texto  foi escito no ano de  1997

 

 Autor: Fransisco Assis Real Tomé.

 

 



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